Governo de MG acerta proposta para chegada de gás natural a Uberaba



Uma proposta para garantir a chegada do gás natural até Uberaba, que viabilizará a implantação da fábrica de amônia pela Petrobras, foi acertada pelo Governo de Minas Gerais. O anúncio foi feito pelo governador Antônio Anastasia na manhã desta sexta-feira (29), durante entrevista para a imprensa na cidade. Já o acordo foi firmado durante uma reunião na sede da estatal, no Rio de Janeiro, na terça-feira (26). O trajeto do gasoduto, que partirá de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, percorrerá 457 quilômetros até chegar a Uberaba.

Segundo Anastasia, o empecilho e a demora na decisão para colocar o projeto em prática ocorreu em virtude de um parecer da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que contestava a natureza da obra que, na primeira origem, viria do Estado de São Paulo. Após inúmeras discussões e pareceres, o governo, em parceria com as empresas envolvidas, concluíram que o melhor trajeto para ser instalado o gasoduto seria ligando Belo Horizonte ao Triângulo Mineiro.

O governador garantiu que o gasoduto estará pronto e com o protocolo assinado até maio de 2016. O funcionamento está previsto para novembro do mesmo ano. "Vamos fazer o gasoduto totalmente mineiro, da capital a Uberaba, com maior capacidade de transporte de gás e fazendo mais uma integração importante do Triângulo Mineiro ao estado", confirmou.

As quatro empresas envolvidas no projeto são a Companhia Enérgica de Minas Gerais (Cemig), Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), Gaspetro e Petrobras. A obra terá capacidade inicial para transportar três milhões de metros cúbicos ao dia de gás natural, combustível suficiente para abastecer a fábrica de amônia.

Sobre a fábrica

Os questionamentos quanto à instalação da fábrica de amônia em Uberaba ocorreram depois que um ofício foi enviado à Petrobras para defender a instalação da unidade em Ribeirão Preto, pois Uberaba não tinha gás disponível para abastecimento da unidade. O prefeito de São Carlos, Paulo Altomani (PSDB), entrou na disputa afirmando que a fábrica poderia ser implantada na cidade, que já tem abastecimento de gás.

Contudo, a presidente Dilma Rousseff (PT) confirmou a instalação na cidade mineira no dia 13 de agosto, durante entrevista coletiva na inauguração do etanolduto em Ribeirão Preto, que transportará etanol entre o polo produtor do combustível nas usinas de cana de açúcar da região de Ribeirão Preto (SP) até a refinaria de Paulínia (SP). A presidente afirmou que a Petrobras escolheu Uberaba por questões técnicas e que foi opção do Governo Federal instalar a fábrica no município.

Em agosto, a Petrobras cancelou o processo licitatório para implantação da fábrica de amônia de amônia em Uberaba. A empresa estatal se posicionou por meio de nota e informou que foi instaurado um processo de contratação direta. De acordo com a Petrobras, o cancelamento se deu por conta das propostas apresentadas que a estatal considerou com “preços excessivos”. A nota esclareceu, porém, que foi instaurado um processo de contratação direta de fornecimento de bens e serviços relativos à implantação da fábrica de amônia em Uberaba.

Em junho, o G1 mostrou que havia dúvidas em relação à instalação da planta, já que a empresa petrolífera havia informado que a unidade está em estudo e consta no planto de negócios da empresa para o período de 2013 a 2017. Mas não havia confirmado em qual município seria instalada e nem detalhes do projeto. Foi destacada a importância de um esforço conjunto de Uberlândia, Uberaba e da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) para concretização dos empreendimentos.

Mas no último dia 14 de novembro, o Estado firmou o protocolo de intenções com a estatal, que nomeou a fábrica como Unidade de Fertilizantes Nitrogenados-V (UFN-V). A unidade terá capacidade projetada de aproximadamente 519 mil toneladas de amônia por ano. Também está sendo estudada a venda de 277 mil toneladas por ano de dióxido de carbono (CO2). O investimento será de cerca de R$ 2,3 bilhões.